abraçar a carreira?
eu recusei uma proposta de trabalho hoje. o salário era bem melhor, mas as condições de trabalho não são satisfatórias.
talvez eu esteja pedindo muito, e talvez o mercado de trabalho não vai me apresentar a opção perfeita nunca. mas, é pedir muito ter qualidade de vida, realização pessoal e um bom salário? e eu não consigo acreditar que trabalhando nove horas por dia e em um ambiente totalmente inflexível vou encontrar isso.
enfim, já recusei a proposta. o tarô me disse pra seguir minha intuição (ou foi isso o que eu quis interpretar), e minha intuição disse pra seguir no lugar onde estou, e continuar trilhando meu caminho.
e aí me peguei pensando sobre meu trabalho com as palavras.
apliquei para uma vaga recentemente, e hoje vi que uma conhecida foi a escolhida. ela é incrível, tem um projeto super relevante e importante com alcance nacional e tem um trabalho especial. a bia escreveu no linkedin que produzir conteúdo é uma forma de tocar as pessoas com as palavras dela, ou algo assim. e eu, sinceramente, não sei se algum dia pensei no meu trabalho como produtora de conteúdo como algo que realmente toca as pessoas.
eu sempre quis tocar as pessoas com o que faço, isso é um fato.
eu quero fazer a diferença de alguma forma.
mas ainda não entendi, eu acho, de que forma o meu trabalho pode fazer isso. ou será que não precisa fazer?
e aí também li um texto muito interessante sobre como nosso trabalho não é nossa missão de vida, e que ele não precisa necessariamente ter um sentido — a gente só tá vendendo nossa força de trabalho pra poder viver, afinal.
então fico aqui, ao mesmo tempo em que recuso uma oferta que parece interessante, entendo que meu trabalho pode servir para algo além, mais do que só ficar o dia todo sentada em um escritório escrevendo pra empresas sobre as quais não estou interessada. sinto como se, além de vender minha força de trabalho, estivesse vendendo a alegria de viver.
exagero? sim, provavelmente. mas enquanto tenho vinte e três anos e ainda quero fazer coisas, posso me permitir fazer essas pequenas loucuras, dando menos prioridade a um salário legal. talvez em alguns anos, quando eu estiver mais de saco cheio, eu queira isso.
e algo que aprendi em anos de terapia é: o mundo sempre vai girar, e sempre vai ter outra oportunidade. é assim que é.
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