um início

 ouvir o isa falando de coisas que gosta é tão lindo. posso ficar horas só escutando ele falar, principalmente quando ele desata a contar dos filmes, livros e coisas que tem pensado.

mas isso me lembra de como eu talvez não tenha o que falar agora. sobre o que eu quero falar? o que me encanta? o que faz meus olhos brilharem?

talvez eu não saiba responder isso no momento.

eu me sinto muito perdida de mim, e justamente quando achei que tudo ia ficar tranquilo. e, de fato, ficou. mas eu comecei a não me sentir bem comigo.

talvez eu sinta que não tenho um papel, ou não esteja fazendo a diferença. perdi a minha voz, a minha forma de fazer as coisas, e isso me desmotiva, já que eu sempre quis desenvolver minha própria forma de fazer as coisas, ter minha própria estética. 

antes eu escrevia e sentia que conseguia falar de mim. que as palavras que eu usava diziam sobre mim. que a escolha pelas piadinhas, ou pelo humor adolescente, ou pelas referências românticas, que tudo isso criava uma atmosfera minha no texto.

e agora eu sinto que estou perdendo isso, ou que já perdi. ou que talvez nunca tenha existido.

mas o que me motiva? por que escrevo? por que escolhi escrever? o que quero escrever? quero descobrir isso escrevendo aqui. quero descobrir do que gosto, quero descobrir que palavras quero usar. quero experimentar.

experimentar é minha forma de criar arte. é minha metodologia. mas experimentar, no mundo em que estou inserida, no trabalho que tenho, não parece viável. experimentar talvez seja jogar fora o tempo e o dinheiro gastos. mas não é assim que funciona comigo — usar as palavras é brincadeira. 

brincar, quando se chega à vida adulta, não é interessante. interessante mesmo é saber o que está fazendo (algo que não sei agora).

olha só: também não sei o que estou escrevendo. estou apenas experimentando. apenas colocando pra fora as palavras que aparecem na minha mente. estou criando um desenho com as palavras, um desenho com as mãos no teclado. um desenho que eu não sei qual é. uma dança de dedos.

escrever digitando poderia ser uma dança de dedos se não fosse tão rígida.

mas, como eu posso transformar o digitar compulsivamente sem fluir em uma dança de dedos?

quero tentar.

Comentários

Postagens mais visitadas